FEX1001 · Aula 1
Como ler um instrumento, como escrever o resultado e quanto se pode confiar nele.
Prof. Rafael de Lima · Departamento de Física · CCT/UDESC
O caminho de hoje
Uma medida não é um número: é um número, uma unidade e uma incerteza. Perder qualquer um dos três é perder a medida.
Parte 1
Grandezas, unidades e o que de fato acontece quando comparamos algo com um padrão.
Se toda medida tem erro, então a Física não é uma ciência tão exata assim. É exatamente por isso que precisamos ser cuidadosos com o tratamento dos erros.
É na fase da experimentação que entram as medidas das grandezas físicas relacionadas ao fenômeno em estudo.
Quantidades que podem ser medidas: massa, comprimento, velocidade, força, temperatura…
As fundamentais são independentes entre si e formam um sistema — o SI. As derivadas se escrevem a partir delas.
Exemplo: comprimento e tempo são fundamentais; velocidade (\(\mathrm{m/s}\)) é derivada.
Medir uma grandeza significa compará-la com outra da mesma espécie, definida como unidade, para verificar a relação numérica entre elas.
Sendo \(G\) a quantidade da grandeza e \(U\) a unidade convencionada, o valor numérico \(M(G)\) é a razão
$$ M(G)=\frac{G}{U} \qquad\Longrightarrow\qquad G = M(G)\,U. $$Toda medida de grandeza física apresenta unidade.
Adotamos \(U = 1\ \mathrm{grama}\). A medição de uma certa massa \(m = G\), comparando-a com essa unidade, fornece \(M(G) = G/U = 101{,}25\).
O número \(101{,}25\) só ganha sentido físico acompanhado do grama. Sozinho, não é uma medida.
Os erros têm origens variadas, e a informação sobre eles obrigatoriamente faz parte do resultado:
$$ G = \bigl(M(G) \pm \Delta M\bigr)\,U. $$Na medição do Exemplo 1, o erro provável foi de \(0{,}04\ \mathrm{g}\).
Ou seja: a massa está entre 101,21 g e 101,29 g, dadas as condições em que a medição foi realizada.
As unidades são apresentadas em múltiplos e submúltiplos conforme a escala da grandeza:
Escolha o instrumento — e a unidade — coerentes com o “tamanho” da grandeza observada.
Parte 2
O que a escrita de um número já conta sobre o instrumento que a produziu.
O valor desconhecido é comparado diretamente com o padrão. Ex.: a largura de uma parede, \(L_x = 4{,}3\ \mathrm{m}\).
Obtida por operações matemáticas com medidas diretas. Ex.: com \(H_x = 2{,}6\ \mathrm{m}\),
\(\text{área} = L_x H_x = 4{,}3\ \mathrm{m} \times 2{,}6\ \mathrm{m} = 11{,}18\ \mathrm{m^2} = 11\ \mathrm{m^2}.\)
\(L_x\) e \(H_x\) têm erro individualmente — logo a área também tem. Esse erro propagado é o assunto da parte final da aula.
São todos os algarismos dos quais se tem plena certeza, mais um duvidoso — o último, estimado a olho.
Nesta apresentação, o algarismo duvidoso aparece assim: 11,3 cm
| Instrumento | Leitura de L | Alg. significativos |
|---|---|---|
| régua decimetrada | 1,1 dm | 2 |
| régua centimetrada | 11,3 cm | 3 |
| régua milimetrada | 113,4 mm | 4 |
A extremidade do objeto cai entre dois traços. O experimentador divide mentalmente esse intervalo em décimos e supõe a olho o último dígito.
1,2 dm, 11,4 cm, 113,3 mm também seriam aceitáveis: o último algarismo depende do olho de quem mede.
Fica ainda mais fácil: o algarismo duvidoso é simplesmente o zero.
1,0 dm · 10,0 cm · 100,0 mm
Calculadoras descartam zeros à direita da vírgula, por economia. Esses zeros, porém, são imprescindíveis e precisam ser escritos.
Todos os algarismos de uma medida são significativos, exceto os zeros à esquerda do primeiro algarismo significativo — eles apenas fixam a posição da vírgula.
0,00…187 km → os três zeros só ancoram a vírgula.
100,0 mm → o zero final é o duvidoso, logo conta.
Com a régua decimetrada, jamais se pode escrever 1,15 dm: a escala só permite certeza na casa dos decímetros, e o algarismo dos centímetros já é o duvidoso.
Quando alguém escreve 11,3 cm, está dizendo que usou uma régua centimetrada — porque o duvidoso está na primeira casa decimal.
“Mas isso é óbvio pela unidade!” Então mudemos a unidade:
$$ 11{,}3\ \mathrm{cm} = 0{,}113\ \mathrm{m} $$A escala passou a ser o metro? Não. O duvidoso — 0,113 m — continua na mesma posição física: a casa dos décimos de centímetro.
A mudança de unidade não pode alterar a quantidade de algarismos significativos — isso seria adulterar a medida.
Alguém pode objetar: eram três (11,3 cm) e passaram a ser quatro (0,113 m).
Não. O zero à esquerda dos demais não é significativo; seu papel é ancorar a vírgula depois da mudança de unidade.
100,0 mm tem quatro algarismos significativos. Em metros, precisa continuar com quatro:
\(100{,}0\ \mathrm{mm} = 0{,}1000\ \mathrm{m}\) — e não 0,1 m.
| Medida | Alg. sign. | Medida | Alg. sign. |
|---|---|---|---|
| \(7\times 10\ \mathrm{km}\) | um | \(0{,}0001540\ \mathrm{K^{-1}}\) | quatro |
| \(0{,}000005\ \Omega\) | um | \(35{,}40\ \mathrm{g}\) | quatro |
| \(0{,}0013\ \mathrm{A}\) | dois | \(9{,}8067\ \mathrm{m/s^2}\) | cinco |
| \(66\times 10^{11}\ \mathrm{anos}\) | dois | \(1{,}9764\times10^{-23}\ \mathrm{átomos}\) | cinco |
| \(0{,}0450\ \mathrm{mm}\) | três | \(15000\ \mathrm{s}\) | cinco |
| \(2{,}31\times10^{-1}\ \mathrm{cal/J}\) | três | \(4{,}00000\times10^{-3}\ \mathrm{eV/C}\) | seis |
Conte da esquerda para a direita, começando no primeiro algarismo diferente de zero.
Parte 3
Como trocar de unidade sem alterar a informação que o instrumento forneceu.
| Fator | Prefixo | Símbolo |
|---|---|---|
| \(10^{24}\) | iota | Y |
| \(10^{21}\) | zeta | Z |
| \(10^{18}\) | exa | E |
| \(10^{15}\) | peta | P |
| \(10^{12}\) | tera | T |
| \(10^{9}\) | giga | G |
| \(10^{6}\) | mega | M |
| \(10^{3}\) | quilo | k |
| \(10^{2}\) | hecto | h |
| \(10^{1}\) | deca | da |
| Fator | Prefixo | Símbolo |
|---|---|---|
| \(10^{-1}\) | deci | d |
| \(10^{-2}\) | centi | c |
| \(10^{-3}\) | mili | m |
| \(10^{-6}\) | micro | μ |
| \(10^{-9}\) | nano | n |
| \(10^{-12}\) | pico | p |
| \(10^{-15}\) | femto | f |
| \(10^{-18}\) | ato | a |
| \(10^{-21}\) | zepto | z |
| \(10^{-24}\) | iocto | y |
Um fio de linha medido com as três réguas:
| Instrumento | Comprimento \(l_f\) | A. S. |
|---|---|---|
| decimetrada | 18,7 dm = 1,87 m = 0,187 dam = 0,0187 hm = 0,00187 km | 3 |
| centimetrada | 186,6 cm = 1,866 m = 0,1866 dam = 0,01866 hm = 0,001866 km | 4 |
| milimetrada | 1865,4 mm = 1,8654 m = 0,18654 dam = 0,018654 hm = 0,0018654 km | 5 |
Os zeros que surgem à esquerda não são significativos: apenas fixam a posição da vírgula. A quantidade de algarismos não muda em nenhuma linha.
Aqui mora a armadilha. Queremos escrever 18,7 dm em milímetros.
\(18{,}7\ \mathrm{dm} = 1870\ \mathrm{mm}\) — isso transforma três algarismos significativos em quatro, como se a medida tivesse sido feita com uma régua centimetrada. É falso.
\(18{,}7\ \mathrm{dm} = 18\underline{7}\times 10\ \mathrm{mm}\)
Para converter a uma unidade menor, multiplique por uma potência de 10 — nunca acrescente zeros à direita.
| Instrumento | Comprimento \(l_f\) | A. S. |
|---|---|---|
| decimetrada | 18,7 dm = 187 cm = 187×10 mm = 187×10⁴ μm = 187×10⁷ nm = 187×10⁸ Å | 3 |
| centimetrada | 186,6 cm = 1866 mm = 1866×10³ μm = 1866×10⁶ nm = 1866×10⁷ Å | 4 |
| milimetrada | 1865,4 mm = 18654×10² μm = 18654×10⁵ nm = 18654×10⁶ Å | 5 |
1 Å = 10⁻¹⁰ m.
Considere: 30 dm, 300 cm e 3000 mm. Mesma dimensão, três medidas diferentes — dois, três e quatro algarismos significativos.
Um único algarismo significativo antes da vírgula, o primeiro à esquerda, multiplicado por uma potência de dez:
O expoente \(n\) representa a ordem de grandeza da medida.
Em notação científica só aparecem os algarismos significativos. Os zeros de posicionamento simplesmente somem.
\(18{,}7\ \mathrm{dm} = 0{,}00187\ \mathrm{km} = 1{,}87\times10^{-3}\ \mathrm{km}\) — os três algarismos, e nada além deles.
| Medida | Alg. significativos |
|---|---|
| \(4\ \mathrm{N/m^2} = 4\times10^{0}\ \mathrm{N/m^2}\) | um |
| \(0{,}0000013\ \mathrm{g} = 1{,}3\times10^{-6}\ \mathrm{g}\) | dois |
| \(760\ \mathrm{mm\text{-}Hg} = 7{,}60\times10^{2}\ \mathrm{mm\text{-}Hg}\) | três |
| \(0{,}003671\ \mathrm{K^{-1}} = 3{,}671\times10^{-3}\ \mathrm{K^{-1}}\) | quatro |
| \(980{,}66\ \mathrm{cm/s^2} = 9{,}8066\times10^{2}\ \mathrm{cm/s^2}\) | cinco |
| \(299776\ \mathrm{km/s} = 2{,}99776\times10^{5}\ \mathrm{km/s}\) | seis |
| \(5000000\ \mathrm{eV/C} = 5{,}000000\times10^{6}\ \mathrm{eV/C}\) | sete |
Em todos os casos, a quantidade de algarismos significativos é preservada.
Repare que a unidade é operada exatamente como o número.
Os fatores de conversão (60, 24, 365,25) são números exatos: não limitam a quantidade de algarismos significativos do resultado.
Parte 4
Adição, subtração, multiplicação, divisão — e tudo o mais.
O resultado não pode ter precisão maior do que a da medida “mais pobre” que entrou na conta.
É natural precisar operar medidas feitas com instrumentos de precisões diferentes — é para isso que servem estas regras.
Com réguas decimetrada, centimetrada e milimetrada mediram-se os comprimentos de algumas tábuas. Qual é o comprimento total?
Primeiro passo: uma única unidade. A unidade de maior ordem é o dm, então convertemos para o dm ou para uma unidade superior — o metro.
O algarismo duvidoso viaja com a medida: mudar de unidade não o move de posição física.
Onde um duvidoso participa da soma, o resultado naquela casa também é duvidoso. Mas o resultado só pode ter um duvidoso: o “menos duvidoso de todos”, o primeiro à esquerda — aqui, o 9 da segunda casa decimal.
Despreza-se tudo o que vem depois do 9. Como a parte desprezada está mais próxima de uma unidade acima, arredonda-se para cima.
6,58 m tem o duvidoso na casa dos centímetros — exatamente a posição do duvidoso da régua decimetrada, a menos precisa das três. A soma não pode ser mais precisa do que a pior parcela.
Escrevendo cada medida como parte certa + parte duvidosa:
A parte duvidosa acumulada (0,0589 m) já é da ordem dos centímetros. Não faz sentido reportar milímetros ou décimos de milímetro no total.
O resultado da adição de várias medidas de uma mesma grandeza física não pode ter maior quantidade de algarismos significativos na sua parte decimal do que a parte decimal mais pobre das parcelas.
No Exemplo 4, a parcela mais pobre é 0,34 m — duas casas decimais. Logo o total tem duas casas decimais: 6,58 m.
Se adotássemos o milímetro no Exemplo 4, seria preciso introduzir potências de 10:
As potências de 10 escondem a parte decimal mais pobre e a regra fica impossível de aplicar. Converta sempre para uma unidade de ordem superior.
Arredonda-se no primeiro algarismo duvidoso à esquerda, desprezando o resto.
O duvidoso anterior é aumentado de uma unidade.
O duvidoso anterior não se altera.
Duvidoso anterior ímpar → aumenta.
Duvidoso anterior par (zero incluso) → permanece.
| 1524,5500100 cm³ | → | 1524,6 cm³ = 1,5246×10³ cm³ |
| 12,12599875 g | → | 12,13 g = 1,213×10¹ g |
| 204,96501212 N | → | 205,0 N = 2,050×10² N |
| 0,00121521111 A | → | 0,00122 A = 1,22×10⁻³ A |
| 0,137298760 V | → | 0,14 V = 1,4×10⁻¹ V |
| 699,05 mm-Hg | → | 699 mm-Hg = 6,99×10² mm-Hg |
| 80,032 cal/g | → | 80,0 cal/g = 8,00×10¹ cal/g |
| 27,24 g | → | 27,2 g = 2,72×10¹ g |
| 4,8205 dyn/cm² | → | 4,8 dyn/cm² = 4,8×10⁰ dyn/cm² |
| 0,5431 N/m | → | 0,54 N/m = 5,4×10⁻¹ N/m |
| 1,55500 Wb/m² | → | 1,56 Wb/m² | ímpar, aumenta |
| 0,00355 cal/g | → | 0,0036 cal/g = 3,6×10⁻³ cal/g | ímpar, aumenta |
| 129,500 g/s | → | 130 g/s = 1,30×10² g/s | ímpar, aumenta |
| 1,9500 dyn/cm² | → | 2,0 dyn/cm² | ímpar, aumenta |
| 0,805 N/m | → | 0,80 N/m = 8,0×10⁻¹ N/m | par, permanece |
| 25,105 mm-Hg | → | 25,10 mm-Hg = 2,510×10¹ mm-Hg | par, permanece |
| 26500 m | → | 2,6×10⁴ m | par, permanece |
| 28,500 J | → | 28 J = 2,8×10¹ J | par, permanece |
| 0,0004500 N·m | → | 0,0004 N·m = 4×10⁻⁴ N·m | par, permanece |
| 9,50000 C/g | → | 1×10¹ C/g | ímpar, aumenta |
A última linha é a mais instrutiva: 9 aumenta para 10, e o resultado muda de ordem de grandeza.
Embora a adição seja a mais simples das operações, é onde aparecem os erros mais inacreditáveis. Efetue normalmente e arredonde apenas o resultado.
Três caminhos, o mesmo resultado. É assim que tem de ser: a unidade escolhida para fazer a conta não pode alterar a física.
Do ponto de vista matemático, a subtração é idêntica à adição de números relativos — a regra é a mesma.
O resultado da subtração de várias medidas de uma mesma grandeza física não pode ter maior quantidade de algarismos significativos na sua parte decimal do que a parte decimal mais pobre das parcelas.
De uma tábua de 2859,0 mm são cortados pedaços de 12,3 dm, 113,7 cm e 63,5 mm. Qual é o comprimento final?
O primeiro duvidoso à esquerda é o 2. Despreza-se o 85 e arredonda-se: 0,43 m.
O duvidoso do resultado, 0,43 m, está na casa dos centímetros — a mesma da régua decimetrada, a menos precisa das três usadas.
Assim como na adição, o total não pode ter precisão maior do que a fornecida pelo pior instrumento envolvido.
De uma tábua de 1592,0 mm são cortados pedaços de 12,3 dm e 36,1 cm.
As conclusões sobre precisão ficam prejudicadas. Isso sempre ocorre quando os valores subtraídos são muito próximos: a subtração destrói algarismos significativos.
Tanto na adição quanto na subtração, o arredondamento é executado após a operação, conforme a medida menos precisa.
Os lados \(a\) e \(b\) de um retângulo, medidos com as três réguas:
| Régua | Lado a | Lado b |
|---|---|---|
| decimetrada | 12,8 dm | 1,2 dm |
| centimetrada | 127,8 cm | 11,7 cm |
| milimetrada | 1279,1 mm | 117,4 mm |
Multiplicamos as medidas feitas com a mesma régua — assim não é preciso converter nada.
| Régua | Área = a · b |
|---|---|
| decimetrada | 12,8 × 1,2 = 15,36 dm² = 15 dm² |
| centimetrada | 127,8 × 11,7 = 1495,26 cm² = 150×10¹ cm² |
| milimetrada | 1279,1 × 117,4 = 150166,34 mm² = 1502×10² mm² |
Repare: 2, 3 e 4 algarismos significativos — a quantidade do fator mais pobre em cada linha.
O “menos duvidoso de todos” é o 9. Tudo à direita dele é desprezado; como a parte desprezada é maior que 5, arredonda-se para cima.
A parte duvidosa acumulada (98,26 cm²) já é da ordem da centena de cm². Reportar as casas decimais de 1495,26 seria fingir uma precisão que não existe.
O produto de várias medidas não pode ter maior quantidade de algarismos significativos do que o fator “mais pobre”.
No Exemplo 7: 127,8 cm tem 4 algarismos e 11,7 cm tem 3. Logo o produto tem 3 algarismos significativos.
Note a diferença em relação à adição: lá contavam-se casas decimais; aqui contam-se algarismos significativos.
No último caso, 0,0001 m tem um algarismo significativo — e é ele quem manda no resultado.
A divisão é idêntica à multiplicação pelo inverso: \(h \div g = h \cdot g^{-1}\). A regra, portanto, é a mesma.
O quociente de duas medidas não pode ter maior quantidade de algarismos significativos do que o “mais pobre” dos termos — dividendo ou divisor.
O último resultado é adimensional — cm dividido por cm. Mesmo assim as regras valem: 5 algarismos significativos, ditados por 2,2000 cm.
Nas demais operações — radiciação, logaritmação, potenciação, exponenciação e funções especiais (trigonométricas, hiperbólicas) — efetue normalmente e arredonde o resultado mantendo a mesma quantidade de algarismos significativos da medida operada.
O último caso: 0,006 tem um algarismo significativo, então o resultado também tem um só.
A quantidade de algarismos do resultado acompanha a da medida que entrou na função.
As constantes e números da fórmula (π, 2, 3…) são operados normalmente. No final, arredonde para a mesma quantidade de algarismos significativos da medida direta.
Com uma régua decimetrada mediu-se o diâmetro de uma esfera: \(d = 40{,}\underline{0}\ \mathrm{dm}\). Qual é o volume?
Três algarismos significativos — os mesmos de 40,0 dm.
O resultado tem a mesma quantidade de algarismos significativos da medida direta mais pobre.
Com uma régua centimetrada: \(b = 21{,}\underline{3}\ \mathrm{cm}\) e \(h = 1{,}\underline{5}\ \mathrm{cm}\).
A altura tem apenas dois algarismos significativos — e é ela quem limita o resultado, mesmo a base tendo três.
\(f = 60\ \mathrm{Hz}\) · \(L = 18{,}91\ \mathrm{mH}\) · \(C = 15{,}42\ \mathrm{\mu F}\) · \(R = 173{,}0\ \Omega\)
A medida direta mais pobre é a frequência, \(f = 60\ \mathrm{Hz}\), com dois algarismos significativos. O resultado terá dois.
A cada arredondamento intermediário descartamos informação. Uma forma de minimizar isso é operar a fórmula inteira e arredondar apenas o resultado:
Aqui os dois caminhos coincidem. Em geral, a discrepância aparece apenas no algarismo duvidoso em diante, o que é aceitável — e arredondar só no final dá muito menos trabalho.
O fator de conversão também é uma medida: em três dos casos acima é ele quem limita o resultado.
Parte 5
De onde vêm, como se classificam e o que se pode fazer com cada tipo.
O engano (ou erro grosseiro) vem da falta de habilidade de quem mede e é perfeitamente evitável. Quando dizemos “erro”, falamos daqueles que são inevitáveis.
É o erro devido ao limite de precisão do instrumento.
Metade da menor divisão da escala. Numa régua milimetrada, 0,5 mm; numa centimetrada, 0,5 cm.
Lendo 583,4 mm numa régua milimetrada, escreve-se \((583{,}4 \pm 0{,}5)\ \mathrm{mm}\).
Um caso real
Lewis Fry Richardson
NOAA · domínio público
Nos anos 1950, Richardson investigava se países com fronteiras longas brigavam mais. Foi buscar os comprimentos e encontrou algo estranho: para a mesma fronteira entre Espanha e Portugal,
| a Espanha declarava | 987 km |
| Portugal declarava | 1214 km |
| diferença | 227 km — 23% |
Os dois países mediram com escalas diferentes. O padrão se repetia: Bélgica e Países Baixos declaravam 449 e 380 km da mesma fronteira — e era sempre o país menor que dava o número maior, por medir com régua mais fina.
A mesma costa, três réguas
Fiordes da Noruega · NASA/USGS · ASTER
É por isso que o comprimento não converge. Numa costa recortada, refinar a régua não aproxima o resultado de um valor — faz o resultado crescer.
“Qual é o comprimento desta costa?” não tem resposta única. Só faz sentido perguntar: qual é o comprimento medido com uma régua de tal tamanho?
Mandelbrot pegou essa observação de Richardson e publicou, em 1967, How Long Is the Coast of Britain? — o artigo que funda a geometria fractal.
O objeto é liso na escala do instrumento. Trocar a régua centimetrada pela milimetrada acrescenta um algarismo e o valor converge. É a situação da Apostila 1.
O objeto tem estrutura em toda escala. Trocar de régua muda o resultado, e não existe “valor verdadeiro” independente do instrumento.
Sempre informe com que instrumento a medida foi feita. Nos casos comuns isso é boa prática; em objetos irregulares — o perímetro de uma folha, o contorno de uma trinca, a rugosidade de uma superfície — é o que torna o número interpretável.
Perturba todas as medidas sempre da mesma forma, afastando os valores do valor provável em um sentido definido — sempre para mais ou sempre para menos.
Como segue um padrão, é possível descobrir sua origem e eliminá-lo.
Um ponteiro de medidor analógico torto ou descalibrado para a direita indicará sempre leituras maiores do que as corretas.
Um caso real
NASA · STS-125, 19 de maio de 2009
Lançado em abril de 1990, o Hubble mandou as primeiras imagens borradas: o espelho principal, de 2,4 m, fora polido com a forma errada.
A borda ficou cerca de 2,2 μm achatada demais — algo como 1/50 da espessura de um fio de cabelo. Pequeno, mas dez vezes maior que a tolerância.
A causa: o aparelho que media a forma do espelho durante o polimento estava montado com um espaçamento 1,3 mm fora do lugar.
Por que ninguém percebeu antes
O instrumento de teste dava sempre a mesma resposta errada. Medir de novo confirmava o resultado. Medir mil vezes e tirar a média confirmava com mais casas decimais. O erro não estava no espalhamento das medidas — estava no zero de quem media.
Dois outros testes, mais simples, indicaram a aberração durante a fabricação. Os dois foram desconsiderados: confiou-se no aparelho mais sofisticado, tido como o mais preciso.
É assim que um erro sistemático sobrevive — não por falta de dados, mas porque a medida discordante foi jogada fora.
NASA / ESA
A correção, em duas etapas
Como o defeito era conhecido e estável, deu para medir como um ponto luminoso era borrado e desfazer o borrão por cálculo — a deconvolução de Richardson–Lucy. Salvou três anos de observações.
A missão STS-61 instalou o COSTAR — espelhos com a aberração inversa, óculos para o telescópio — e a câmera WFPC2, já com a correção na própria óptica.
NASA, ESA e equipe do COSTAR
Trocar o espelho em órbita era impossível. Ele continua lá, com o mesmo defeito até hoje — o que se corrigiu foi o caminho da luz depois dele. Em 2009 o COSTAR foi até removido, porque todos os instrumentos já traziam a correção embutida.
Desloca tudo no mesmo sentido. Mais medidas não resolvem. Mas, uma vez conhecido, pode ser corrigido — no cálculo ou na montagem.
Espalha as medidas para os dois lados. Mais medidas reduzem. Mas nenhuma correção posterior o elimina.
No laboratório: desconfie quando dois instrumentos discordam — e não descarte o que parece “menos confiável” sem entender por quê.
Ocorre totalmente ao acaso, sem qualquer sentido ou previsibilidade.
Foi para tratar erros aleatórios que se desenvolveram as teorias estatísticas, inicialmente por Gauss.
Um caso real
Em 1827, Robert Brown viu grãos de pólen em água tremendo sem parar. Por oitenta anos aquilo foi curiosidade — um tremor que atrapalhava a observação ao microscópio.
Mostrou que o tremor tem lei — o deslocamento quadrático médio cresce com o tempo, \(\langle x^{2}\rangle = 2Dt\) — e que ele vem das moléculas do líquido batendo na partícula.
O artigo foi escrito como um método para medir. Se a flutuação obedece a uma lei que envolve o tamanho das moléculas, então medir a flutuação é medir as moléculas. Einstein mesmo tirou o número de Avogadro na tese do mesmo ano — \(6{,}56\times10^{23}\), depois de corrigir um erro de derivação em 1911.
Smoluchowski chegou a resultados equivalentes, de forma independente, em 1906.
1908–1913 · Jean Perrin
J. B. Perrin, 1913 · domínio público
Einstein escrevera que, se o movimento fosse observado e a lei falhasse, isso seria argumento forte contra a teoria cinética. Era um teste que podia derrubar a hipótese atômica.
Perrin foi ao microscópio, marcou posições em intervalos iguais e acumulou estatística sobre o zigue-zague. Da dispersão — puro erro aleatório — obteve
\(N_A = 6{,}8 \times 10^{23}\)
Converteu os últimos céticos: Ostwald e Mach sustentavam que átomos eram ficção útil. Nobel de 1926 — enquanto Einstein nunca recebeu Nobel por este trabalho; o dele, em 1921, foi pelo efeito fotoelétrico.
A ligação com a tábua de Galton
Doze pinos, doze passos. A bolinha termina numa caçapa.
Bilhões de choques por segundo. O mesmo caminho, em duas dimensões.
E é a mesma raiz de \(\sigma_{\bar{x}} \propto 1/\sqrt{n-1}\): repetir a medida reduz o erro aleatório porque os desvios se acumulam como um passeio aleatório, não em linha reta.
O erro máximo na medida, também chamado desvio da medida, é a soma de todos:
$$ \Delta x = \text{erro}_{\text{escala}} + \text{erro}_{\text{sistemático}} + \text{erro}_{\text{aleatório}} $$Bem conhecido.
Pode ser consertado.
Desconhecido e não consertável.
Na prática, o erro máximo costuma ser dominado por um dos três — por exemplo, quando o erro de escala é muito maior que os demais.
Parte 6
Se as medidas de uma grandeza não são todas iguais, como comunicar o seu valor?
Para um número infinito de medidas, a média aritmética é o valor verdadeiro. Na prática fazemos \(n\) medidas, e obtemos uma estimativa:
$$ \bar{x} = \frac{1}{n}\sum_{i=1}^{n} x_i = \frac{x_1 + x_2 + \cdots + x_n}{n} $$\(\bar{x}\) aproxima-se tanto mais do valor verdadeiro \(X\) quanto maior for \(n\). Por isso a média é chamada de valor mais provável da grandeza.
É a diferença entre a \(i\)-ésima medida e a média:
$$ \Delta x_i = x_i - \bar{x} $$Esse desvio pode ser positivo ou negativo. Para estimar efetivamente o desvio, usa-se o desvio absoluto:
$$ |\Delta x_i| = |x_i - \bar{x}| $$É a média aritmética dos módulos dos desvios:
$$ \overline{\Delta x} = \frac{1}{n}\sum_{i=1}^{n}|\Delta x_i| = \frac{1}{n}\sum_{i=1}^{n}|x_i - \bar{x}| $$Somando os desvios com seus sinais, eles poderiam se cancelar completamente e resultar em média nula — o que não é a informação correta. O objetivo é sempre estimar o erro máximo.
Comunica-se então: \(x = \bar{x} \pm \overline{\Delta x}\).
Dá uma ideia da dispersão das medidas em torno do valor médio:
$$ \sigma_x = \sqrt{\frac{1}{n-1}\sum_{i=1}^{n}\left(x_i-\bar{x}\right)^{2}} $$Adotaremos, daqui em diante, o erro aleatório provável como sendo o próprio desvio padrão: \(\text{erro}_{\text{aleatório}} = \sigma_x\).
Um pouco de história
C. A. Jensen, 1840 · domínio público
Em 1º de janeiro de 1801, Giuseppe Piazzi, em Palermo, encontrou um corpo celeste desconhecido — Ceres. Acompanhou-o por 41 dias e o perdeu no brilho do Sol.
Restaram cerca de vinte observações, cobrindo um pedacinho do céu. Onde procurar meses depois? Ninguém sabia.
Gauss, com 24 anos, calculou a órbita pelo método dos mínimos quadrados. Em 7 de dezembro de 1801, von Zach apontou o telescópio para onde Gauss havia previsto — e Ceres estava lá.
A pergunta invertida
Em Theoria Motus (1809), Gauss inverteu o problema. Em vez de supor uma lei para os erros e daí tirar o melhor valor, perguntou:
Qual teria de ser a distribuição dos erros para que a média aritmética fosse o valor mais provável?
A resposta é a curva em sino. E isso muda o estatuto da média:
Quando escrevemos que \(\bar{x}\) é o valor mais provável, não é força de expressão nem costume. É um teorema — válido quando os erros são aleatórios e se distribuem em sino.
Quem descobriu, e por que funciona
Chegou à curva 76 anos antes de Gauss, aproximando o resultado de muitos lançamentos de moeda. Não a via como lei dos erros — era um atalho de cálculo para jogos de azar.
Mostrou por que ela aparece: a soma de muitos efeitos pequenos e independentes tende à curva em sino, seja qual for a natureza de cada um. É o teorema central do limite.
“Soma de pequenas perturbações inevitáveis: vibrações, calor, campos externos, oxidações e outros fatores fora do controle do experimentador.”
Muitos efeitos pequenos e independentes, somados — exatamente a hipótese de Laplace. A curva em sino não é uma suposição sobre suas medidas: é consequência de como o erro aleatório se forma.
A curva é de de Moivre, o nome é de Gauss — o tipo de troca que a história da ciência faz com frequência.
No Exemplo 11, 37 das 50 medidas — 74% — caíram em \(\bar{L} \pm \sigma_L\). A teoria prevê 68,3%: perto, como se espera de 50 medidas.
Simulação · a curva se formando
As regras de operação com algarismos significativos e os critérios de arredondamento continuam valendo. Apresente o resultado, preferencialmente, em notação científica e com a unidade adequada.
Um grupo de alunos mediu o comprimento \(L\) de objetos idênticos com uma régua centimetrada e obteve 50 leituras. Vamos organizá-las por frequência \(f\).
| f | Lᵢ (cm) | ΔLᵢ (cm) | (ΔLᵢ)² (cm²) | f | Lᵢ (cm) | ΔLᵢ (cm) | (ΔLᵢ)² (cm²) |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 240,4 | −0,6 | 0,36 | 7 | 241,0 | 0,0 | 0,00 |
| 2 | 240,5 | −0,5 | 0,25 | 6 | 241,1 | 0,1 | 0,01 |
| 3 | 240,6 | −0,4 | 0,16 | 5 | 241,2 | 0,2 | 0,04 |
| 4 | 240,7 | −0,3 | 0,09 | 4 | 241,3 | 0,3 | 0,09 |
| 5 | 240,8 | −0,2 | 0,04 | 3 | 241,4 | 0,4 | 0,16 |
| 6 | 240,9 | −0,1 | 0,01 | 2 | 241,5 | 0,5 | 0,25 |
| 1 | 241,6 | 0,6 | 0,36 | ||||
| 1 | 241,7 | 0,7 | 0,49 |
Total: n = 50 medidas.
Numa régua centimetrada, o duvidoso está na casa dos décimos de centímetro. A média não pode ter algarismos significativos além dessa casa:
Com 10 000 medidas alguém poderia anunciar \(\bar{L} = 241{,}0138\ \mathrm{cm}\) — colocando o duvidoso na casa dos micrometros. Com uma régua centimetrada, isso é falso.
E se usássemos os desvios com sinal?
$$ \frac{1}{50}\sum_{i=1}^{50}(L_i - \bar{L}) = \frac{0{,}7\ \mathrm{cm}}{50} = 0{,}014\ \mathrm{cm} = 0{,}0\ \mathrm{cm} $$Os desvios se cancelam. É exatamente por isso que se usa o módulo.
Como o erro aleatório contribui tanto para mais quanto para menos:
$$ L = \bar{L} \pm \sigma_L = (241{,}0 \pm 0{,}3)\ \mathrm{cm} $$Note que 37 das 50 medidas (74%) caem no intervalo \([240{,}7\,;\,241{,}3]\ \mathrm{cm}\), isto é, \(\bar{L} \pm \sigma_L\).
A precisão da média. A quantidade de algarismos significativos é ditada pelo instrumento, não por \(n\). Para mais algarismos, troque a régua centimetrada por uma milimetrada ou por um paquímetro.
O erro aleatório, que diminui com \(n\):
\(\sigma_{\bar{x}} \propto \dfrac{1}{\sqrt{n-1}}\)
Para aumentar a precisão, use um instrumento melhor. Para diminuir o erro, faça mais medidas.
No Exemplo 11 obtivemos três respostas defensáveis:
| desvio médio | \(L = (241{,}0 \pm 0{,}2)\ \mathrm{cm}\) |
| desvio padrão | \(L = (241{,}0 \pm 0{,}3)\ \mathrm{cm}\) |
| erro de escala (½ da escala) | \(L = (241{,}0 \pm 0{,}5)\ \mathrm{cm}\) |
Todas colocam o erro na casa do algarismo duvidoso. Como o erro de escala (0,5 cm) é maior que os demais, a rigor bastaria informar a última linha.
Siga o procedimento padrão dos seis passos, sem esquecer arredondamento e unidades. Depois, calcule especificamente o que o exercício ou o professor pedir.
Parte 7
Por que o erro absoluto, sozinho, pode desinformar.
| Dimensão | Referência | Lida | Erro absoluto |
|---|---|---|---|
| largura | 215,900 mm | 215,404 mm | 0,496 mm |
| altura | 279,400 mm | 280,002 mm | 0,602 mm |
| espessura | 0,010 mm | 0,011 mm | 0,001 mm |
O maior erro estaria na altura, depois na largura, e por último na espessura — que teria, de longe, o menor erro.
Tomando \(x_{\text{referência}} = 100\%\):
$$ \varepsilon\% = \frac{\Delta x_{\text{absoluto}}}{x_{\text{referência}}}\times 100\% = \frac{|x_{\text{lido}} - x_{\text{referência}}|}{x_{\text{referência}}}\times 100\% $$Depois de obter um valor médio, também é útil compará-lo com uma referência:
$$ \varepsilon\% = \frac{|\bar{x} - x_{\text{referência}}|}{x_{\text{referência}}}\times 100\% $$Como todo erro, o percentual pode ser para cima ou para baixo do valor de referência.
| Dimensão | Erro absoluto | Erro percentual |
|---|---|---|
| largura | 0,496 mm | 0,229736 % |
| altura | 0,602 mm | 0,215462 % |
| espessura | 0,001 mm | 10 % |
O maior erro está na espessura — e muito maior. Além disso, o erro percentual da largura supera o da altura, ao contrário do que sugeriam os erros absolutos.
O percentual é adimensional: reduz grandezas diferentes a uma mesma linguagem de comparação.
Parte 8
Cada medida direta traz seu erro. O que acontece quando as combinamos?
Sendo \(Y\) a medida indireta e \(x_1,\ldots,x_n\) as diretas:
$$ Y = f(x_1, x_2, x_3, \ldots, x_n) $$A diferencial da função, em termos das variações de cada variável:
$$ dY = \frac{\partial f}{\partial x_1}dx_1 + \frac{\partial f}{\partial x_2}dx_2 + \cdots + \frac{\partial f}{\partial x_n}dx_n $$Substituindo as diferenciais pelas respectivas variações (desvios):
$$ \Delta Y = \frac{\partial f}{\partial x_1}\Delta x_1 + \frac{\partial f}{\partial x_2}\Delta x_2 + \cdots + \frac{\partial f}{\partial x_n}\Delta x_n $$\(\partial f/\partial x_i\) é a derivada parcial: deriva-se a função apenas em relação àquela variável, tratando as demais como constantes.
As derivadas parciais podem ter qualquer sinal — e \(\Delta Y\) poderia até dar zero por cancelamento. Como o objetivo é o erro máximo provável, tomamos todas as contribuições como positivas:
$$ \Delta Y = \left|\frac{\partial f}{\partial x_1}\right|\Delta x_1 + \left|\frac{\partial f}{\partial x_2}\right|\Delta x_2 + \cdots + \left|\frac{\partial f}{\partial x_n}\right|\Delta x_n $$Nas derivadas, substitua cada variável pelo seu valor médio; e multiplique cada uma pelo desvio da respectiva medida direta.
\(h = (155{,}3 \pm 0{,}7)\ \mathrm{mm}\) · \(r = (389{,}0 \pm 1{,}9)\ \mathrm{mm}\)
Aqui \(Y = V\), \(x_1 = r\) e \(x_2 = h\). As derivadas parciais:
$$ \frac{\partial V}{\partial h} = \frac{1}{3}\pi\left(6rh - 3h^{2}\right), \qquad \frac{\partial V}{\partial r} = \pi h^{2} $$Falta ainda o próprio volume, para saber em que casa arredondar o desvio.
O desvio foi arredondado na mesma casa decimal do algarismo duvidoso do valor médio.
Com \(a = \bar{a} \pm \Delta a\) e \(b = \bar{b} \pm \Delta b\):
$$ A = (\bar{a} \pm \Delta a)(\bar{b} \pm \Delta b) = \underbrace{\bar{a}\bar{b}}_{(1)} + \underbrace{\bar{a}\,\Delta b}_{(2)} + \underbrace{\bar{b}\,\Delta a}_{(3)} + \underbrace{\Delta a\,\Delta b}_{(4)} $$O produto \(\Delta a\,\Delta b\) é um número muito pequeno — produto de dois erros — e não contribui significativamente.
Confira: a equação do erro indeterminado dá exatamente esta expressão, já que \(\partial A/\partial a = b\) e \(\partial A/\partial b = a\).
O raciocínio geométrico/algébrico direto funciona e é esclarecedor — como no Exemplo 14.
A equação do erro indeterminado é o caminho confiável. Vale sempre, e não depende de intuição geométrica.
\(Y = \bar{Y} \pm \Delta Y\), com o desvio arredondado na casa do algarismo duvidoso do valor médio, em notação científica e com unidade.
Parte 9
Leituras, operações e tratamento estatístico. Enunciados completos na apostila.
As listas completas estão nas páginas 10 a 12 da Apostila 1.
Aplique as regras de operação e os critérios de arredondamento. Apresente o resultado em notação científica, com a unidade adequada.
Para levar da aula
Apostila 1 e material completo da disciplina em github.com/RafaelCRdeLima/FEX1001
FEX1001 · Física Experimental I · Prof. Rafael de Lima · CCT/UDESC