Zangwill, Capítulo 10
Magnetoestática
O campo magnético produzido por correntes estacionárias: da lei de Biot-Savart ao potencial vetor e à topologia das linhas de campo.
Zangwill, Capítulo 10
O campo magnético produzido por correntes estacionárias: da lei de Biot-Savart ao potencial vetor e à topologia das linhas de campo.
"At every point in space at which there is a finite magnetic force there is … a magnetic field."William Thomson (Lord Kelvin), 1851
Essa observação, aparentemente simples, é o ponto de partida: o campo existe onde quer que atue sobre correntes. A magnetostática pergunta: o que o determina?
Mapa do capítulo
Do experimento ao campo
10.1 Introdução
Toda distribuição de corrente \(\mathbf{j}(\mathbf{r})\) estacionária é fonte de um campo \(\mathbf{B}(\mathbf{r})\) que satisfaz essas duas equações diferenciais. O campo \(\mathbf{B}\) é completamente determinado por elas (via Teorema de Helmholtz, Seção 1.9).
10.1.1 Escopo
A densidade de carga \(\rho\) é um escalar. A densidade de corrente \(\mathbf{j}\) é um vetor. Isso torna a equação \(\nabla\times\mathbf{B}=\mu_0\mathbf{j}\) intrinsecamente mais rica em estrutura.
Campos magnéticos são produzidos por: (1) corrente elétrica de cargas em movimento e (2) corrente de magnetização — spin quântico de partículas. Isso torna a matéria magnetizável muito mais variada que a polarizável.
A relatividade especial (Cap. 22) mostrará que a distinção entre \(\mathbf{E}\) e \(\mathbf{B}\) é apenas uma questão de referencial. Campos estáticos em um referencial tornam-se misturados em outro.
Uma inversão fundamental
A carga cria divergência. O rotacional é nulo. Linhas de \(\mathbf{E}\) começam e terminam. Potencial escalar \(\varphi\) domina.
A corrente cria rotacional. A divergência é nula. Linhas de \(\mathbf{B}\) circulam. O potencial vetor \(\mathbf{A}\) emerge naturalmente.
10.1.2 Magnetostática implica corrente estacionária
Aplicando \(\nabla\cdot\) em ambos os lados de \(\nabla\times\mathbf{B}=\mu_0\mathbf{j}\) e usando a identidade \(\nabla\cdot(\nabla\times\mathbf{F})=0\), obtemos imediatamente \(\nabla\cdot\mathbf{j}=0\).
Fisicamente: nenhuma carga se acumula em nenhum volume. O que entra também sai. As linhas de corrente são sempre fechadas.
Esse é o mesmo diagrama que descreve possíveis linhas de \(\mathbf{B}\): sem começo, sem fim, sem acúmulo.
10.1.3 Monopolos magnéticos
Sem monopolos
10.1.4 Análogo ao teorema de Earnshaw
\(|\mathbf{B}(\mathbf{r})|\) pode ter um mínimo local, mas nunca um máximo local em um volume \(V\) livre de correntes.
Por que \(\mathbf{B}\) importa na prática
Essas são as expressões gerais. Quando \(\mathbf{B}\) é uniforme e a distribuição \(\mathbf{j}'\) é localizada, a força total se anula e o torque reduz a \(\mathbf{N}=\mathbf{m}\times\mathbf{B}\) (Cap. 11).
10.2 Lei de Biot-Savart
O teorema de Helmholtz (Seção 1.9) garante: dados \(\nabla\cdot\mathbf{B}\) e \(\nabla\times\mathbf{B}\), o campo \(\mathbf{B}\) é unicamente determinado. Com \(\nabla\cdot\mathbf{B}=0\) e \(\nabla\times\mathbf{B}=\mu_0\mathbf{j}\):
Trazer \(\nabla\) para dentro do integral (pois \(\mathbf{j}(\mathbf{r}')\) não depende de \(\mathbf{r}\)) e usar \(\nabla(1/|\mathbf{r}-\mathbf{r}'|)=-(\mathbf{r}-\mathbf{r}')/|\mathbf{r}-\mathbf{r}'|^3\):
Mesma física, fontes diferentes
Onde \(\mathbf{R}=\mathbf{r}-\mathbf{r}'\). Condutor espesso ou plasma.
\(\mathbf{K}\) [A/m]: folha de corrente ou limite de camada fina.
Substituição \(\mathbf{j}\,d^3r'\to I\,d\boldsymbol{\ell}\). Fio ideal (espessura irrelevante).
Exemplo 10.1 do Zangwill
Fio finito com corrente \(I\), descrito pelos vetores \(\mathbf{b}\) e \(\mathbf{c}\) (do ponto de observação \(P\) às extremidades). Vetor unitário \(\mathbf{a}=\hat{\ell}\) ao longo do fio. Distância perpendicular: \(r = |\mathbf{c}\times\mathbf{a}|/a\).
Fio infinito: \(b\to+\infty\), \(c\to+\infty\) com extremos em sentidos opostos:
10.2.1 Espira circular de corrente
No eixo \(z\), cada elemento \(Id\boldsymbol{\ell}\) contribui com \(d\mathbf{B}\) inclinado. Pela simetria azimutal, as componentes transversais de lados opostos se cancelam. Só resta a componente \(\hat{\mathbf{z}}\).
Onde \(\cos\theta = R/\sqrt{R^2+z^2}\) e \(\oint d\ell = 2\pi R\).
10.2.1 Resultado final
10.2.2 Solenoide infinito
Solenoide de seção arbitrária com corrente superficial azimutal \(\mathbf{K}=K\,d\boldsymbol{\ell}'\). Usando Biot-Savart para superfície (10.16) e separando a integral em \(z\) e no contorno \(C\):
O ângulo sólido plano varrido pelo vetor \(\mathbf{R}'\) ao longo de \(C\) é:
10.2.2 Resultado e implicações
\(n\) = número de espiras por unidade de comprimento, \(I\) = corrente por espira.
Aplicação 10.1 — resultado surpreendente
Se \(\nabla\times\mathbf{j}(\mathbf{r}')=0\) em todo o espaço e \(\mathbf{j}\) é localizada, então \(\mathbf{B}(\mathbf{r})=0\) em todo o espaço.
10.3 Lei de Ampère
Integrar \(\nabla\times\mathbf{B}=\mu_0\mathbf{j}\) sobre uma superfície \(S\) com bordo \(C\):
Pelo teorema de Stokes (Seção 1.4.4):
\(I_C = \int_S \mathbf{j}\cdot d\mathbf{S}\): corrente atravessando qualquer superfície que tenha \(C\) como bordo. O sinal segue a regra da mão direita.
Como usar a lei de Ampère
Antes de integrar qualquer coisa: use argumentos de simetria (translação, rotação, reflexão) para determinar quais componentes de \(\mathbf{B}\) são não-nulas e de quais variáveis elas dependem.
Escolher curva \(C\) onde \(|\mathbf{B}|\) é constante e \(\mathbf{B}\parallel d\boldsymbol{\ell}\) — então \(\oint\mathbf{B}\cdot d\boldsymbol{\ell} = B \cdot L_C\). O cálculo vira álgebra.
Determinar a corrente total que atravessa a superfície delimitada por \(C\). Então isolar \(B\): \(B = \mu_0 I_C / L_C\).
Atenção: Pular o passo 1 é o erro mais comum. A forma de \(\mathbf{B}\) deve ser justificada por simetria antes de usar Ampère — caso contrário, a integral não simplifica e nenhuma informação útil é extraída.
10.3.1 Fio retilíneo infinito
Invariância translacional em \(z\) e rotacional em \(\phi\): \(\mathbf{B}=\mathbf{B}(\rho)\). O campo depende apenas da distância radial \(\rho\).
Sob reflexão no plano \(z=0\): \(I\to -I\), portanto \(\mathbf{B}\to-\mathbf{B}\). A componente \(B_z\) deve satisfazer \(B_z=-B_z\), logo \(B_z=0\).
Componente radial \(B_\rho\neq 0\) criaria divergência: \(\nabla\cdot\mathbf{B}=(1/\rho)\partial(\rho B_\rho)/\partial\rho\neq 0\). Logo \(B_\rho=0\).
Conclusão: o campo só pode ter componente azimutal, que depende apenas de \(\rho\). Agora aplica-se Ampère com círculo de raio \(\rho\): \(B(2\pi\rho) = \mu_0 I\).
Propriedade fundamental de \(\mathbf{B}\)
Aplicação de Ampère
Corrente total \(I\) distribuída uniformemente: \(j = I/(\pi a^2)\). Caminho ampèreano: círculo de raio \(\rho\).
O campo cresce linearmente dentro do fio e cai como \(1/\rho\) fora. Ambos são contínuos em \(\rho=a\) (não há corrente superficial).
Exemplo 10.2 — Ampère
\(N\) espiras enroladas em forma de torus. Caminho circular de raio \(\rho\) concêntrico ao eixo:
O campo está completamente confinado dentro do volume toroidal. Essa geometria é a base dos tokamaks para fusão nuclear — o campo toroidal confina o plasma.
Note que \(B\propto 1/\rho\): o campo não é uniforme dentro do toroide (contraste com solenoide linear).
10.3.2 Folha uniforme
Duas simetrias: (1) invariância translacional em \(x\) e \(y\) → \(\mathbf{B}=\mathbf{B}(z)\); (2) rotação de \(180°\) em torno do eixo \(y\) e reflexão em \(z=0\) eliminam \(B_y\) e \(B_z\).
Onde \(\hat{\mathbf{s}}\) aponta da folha para o ponto de observação. Derivado via caminho retangular ampèreano.
10.3.3 Condições de contorno para \(\mathbf{B}\)
Caso especial importante
Dentro de um condutor perfeito em equilíbrio estático, \(\mathbf{B}_{\rm in}=0\) (Seção 13.x). A condição de contorno tangencial (10.38) com \(\mathbf{B}_1=\mathbf{B}_{\rm in}=0\) dá:
O campo externo imediatamente fora do condutor está relacionado à corrente superficial que flui na superfície. Essa corrente é exatamente a que "blinda" o interior.
10.3.4 Auto-força
A força por área usa o campo médio dos dois lados — não o campo da própria folha. Isso remove a contribuição singular do elemento que exerce a força sobre si mesmo.
10.4 Potencial escalar magnético \(\psi(\mathbf{r})\)
Em qualquer volume \(V\) onde \(\mathbf{j}(\mathbf{r})=0\), a lei de Ampère diz \(\nabla\times\mathbf{B}=0\). Logo \(\mathbf{B}\) é derivável de um potencial escalar:
Combinando com \(\nabla\cdot\mathbf{B}=0\):
Resultado poderoso: todos os métodos do Capítulo 7 (Laplace) se aplicam! Separação de variáveis, expansão em polinômios de Legendre, funções de Bessel, funções de Green.
Conexão com Cap. 7
10.4.1 Espira circular de raio \(R\)
Espira no plano \(z=0\). A superfície esférica \(r=R\) divide o espaço em duas regiões sem corrente. A simetria azimutal e regularidade fixam:
Note: somas começam em \(\ell=1\) (não \(\ell=0\)), pois a continuidade de \(\hat{\mathbf{r}}\cdot\nabla\psi\) em \(r=R\) dá \(B_0=0\).
10.4.1 Campo completo da espira
Para \(r\gg R\), o termo \(\ell=1\) domina, e o potencial escalar assume a forma idêntica ao de um dipolo elétrico. O momento de dipolo magnético é:
10.4.2 Aplicação: campo uniforme
Duas espiras de raio \(R\), coaxiais, separadas por distância \(R\) (uma em \(z=0\), outra em \(z=R\)). Ponto médio em \(z=R/2\).
Em \(z=R/2\): ponto de inflexão de cada espira separadamente (pois \(B_z''(R/2)=0\) para espira em \(z=0\)).
Pela simetria de reflexão em \(z=R/2\): todas as derivadas ímpares se anulam no ponto médio. A primeira derivada não-nula é \(B_z^{(4)}\).
10.4.3 Topologia de \(\psi(\mathbf{r})\)
Se o caminho de integração de \(A\) a \(B\) encircla uma corrente \(I\), a lei de Ampère impõe:
O sinal depende se a corrente flui paralela ou anti-paralela ao polegar quando a regra da mão direita é aplicada a \(C\).
Para \(A\) e \(B\) infinitesimalmente próximos (mas em lados opostos do circuito): \(\psi(A)-\psi(B)=\pm\mu_0 I\). Portanto \(\psi\) não é função bem-definida da posição — depende do caminho!
10.4.3 Continuado
Insere-se uma superfície aberta \(S\) (a "barreira") que é delimitada pela espira de corrente \(C\). A barreira impede que caminhos de integração em \(V\) encirclem \(C\).
Exemplos de superfície barreira:
Com a barreira, \(\nabla^2\psi=0\) em \(V\setminus S\) e a condição de salto (10.59) funciona como condição de contorno em \(S\).
Os dois lados \(A\) e \(B\) infinitesimalmente acima e abaixo da barreira têm potenciais que diferem de \(\mu_0 I\). Essa descontinuidade é uma condição de contorno — análoga à carga dupla em dielétricos.
Para o caso da espira circular com a superfície barreira plana, isso reproduz a descontinuidade já vista em \(\psi(r=R)\) na Seção 10.4.1.
10.4.4 Resultado elegante
Usando a identidade vetorial (1.85) e identificando com a lei de Biot-Savart:
Onde \(\Omega_S(\mathbf{r})\) é o ângulo sólido subtendido pela superfície \(S\) (qualquer superfície que tenha \(C\) como bordo) no ponto de observação \(\mathbf{r}\).
O ângulo sólido \(\Omega_S\) é multi-valorado: ao atravessar \(S\), ele muda de \(4\pi\) (ciclo completo), reproduzindo o salto \(\psi\to\psi\pm\mu_0 I\).
Aplicação 10.2 — Relevância tecnológica
Tomógrafos de IRM usam ímãs supercondutores que geram campos \(\mathbf{B}\) fortes. A ressonância magnética nuclear excita prótons no corpo humano. O contraste de imagem vem de diferenças na densidade e relaxação dos prótons em tecidos diferentes.
Problema: o campo de gradiente, produzido por bobinas auxiliares, deve ser zero fora do aparelho (não interferir com outros equipamentos).
Solução: blindagem ativa — um segundo cilindro externo com corrente \(\mathbf{K}_2\) escolhida para cancelar o campo fora.
A condição de campo zero para \(\rho>R_2\) fixa a relação entre as componentes de Fourier das duas correntes:
\(I_m\) = funções de Bessel modificadas. Essa relação é usada em todos os scanners de IRM comerciais modernos.
10.5 Potencial vetor \(\mathbf{A}(\mathbf{r})\)
Como \(\nabla\cdot\mathbf{B}=0\) em todo o espaço, o teorema de Helmholtz garante que existe \(\mathbf{A}(\mathbf{r})\) tal que:
Prova direta (Zangwill): Defina
Então \(\nabla\times\mathbf{A} = (B_x, B_y, \partial A_y/\partial x - \partial A_x/\partial y)\). O terceiro componente:
Consequência imediata
Pelo teorema de Stokes. \(C\) é qualquer curva fechada com bordo \(S\).
10.5.1 Não-unicidade de \(\mathbf{A}\)
Se \(\mathbf{B}=\nabla\times\mathbf{A}\) e \(\chi(\mathbf{r})\) é qualquer função escalar diferenciável, então:
produz o mesmo campo:
\(\chi\) é a "função de calibre". A liberdade de escolher \(\chi\) é a invariância de calibre — uma das simetrias mais profundas da física.
Escolha conveniente
Se temos \(\mathbf{A}\) com \(\nabla\cdot\mathbf{A}=f\neq 0\), escolhe-se \(\chi\) tal que:
Isso é equação de Poisson para \(\chi\) — sempre tem solução! Então \(\mathbf{A}'=\mathbf{A}+\nabla\chi\) satisfaz \(\nabla\cdot\mathbf{A}'=0\).
A solução da equação de Helmholtz (10.14) já é implicitamente no calibre de Coulomb, pois:
10.5.2 Equação de Poisson vetorial
Substituindo \(\mathbf{B}=\nabla\times\mathbf{A}\) em \(\nabla\times\mathbf{B}=\mu_0\mathbf{j}\):
Usando \(\nabla\times(\nabla\times\mathbf{F})=\nabla(\nabla\cdot\mathbf{F})-\nabla^2\mathbf{F}\) e \(\nabla\cdot\mathbf{A}=0\):
Três equações de Poisson independentes (uma por componente cartesiana). A experiência com eletrostática se aplica diretamente!
10.5.3 Exemplo instrutivo
Fio ao longo de \(z\): por simetria, \(\mathbf{A}=A_z(\rho)\,\hat{\mathbf{z}}\).
A integral diverge logaritmicamente. Limitamos a fio de comprimento \(2L\) e tomamos \(L\to\infty\):
A constante diverge com \(L\), mas desaparece ao calcular \(\mathbf{B}\):
10.5.4 Método alternativo
Antes de escolher calibre, esta é a equação fundamental. Com alta simetria, \(\mathbf{A}\) tem um único componente e ela reduz a uma EDP escalar.
Exemplo: fio cilíndrico com \(\mathbf{j}=j\hat{\mathbf{z}}\) → \(\mathbf{A}=A_z(\rho)\hat{\mathbf{z}}\):
Espira de corrente: \(\mathbf{j}=I\delta(\rho-R)\delta(z)\hat{\boldsymbol{\phi}}\) → \(\mathbf{A}=A_\phi(\rho,z)\hat{\boldsymbol{\phi}}\) satisfaz equação de Bessel em \(\rho\) com solução em \(J_1(k\rho)\).
10.6 Topologia
A condição \(\nabla\cdot\mathbf{B}=0\) implica que linhas de campo não começam nem terminam — mas não implica que fecham!
Exemplo: Espira circular de corrente + fio retilíneo perpendicular (Fig. 10.19).
10.6.1 Mudança de topologia
A topologia de linhas de \(\mathbf{B}\) estáticas é fixada para sempre — em um campo estático, as linhas não podem se romper e reconectar.
Em situações quase-estáticas (as fontes mudam lentamente): a topologia muda quando as fontes se movem para uma configuração onde \(\mathbf{B}=0\) em algum ponto — o ponto nulo.
Nesse ponto, a conectividade das linhas de campo pode mudar abruptamente — duas linhas previamente desconectadas podem se juntar, e duas conectadas podem se separar.
Aplicação 10.3 — Caos magnético
Considere o campo (Zangwill eq. 10.86):
Satisfaz \(\nabla\cdot\mathbf{B}=0\) por construção. As equações das linhas de campo \(ds\,\lambda = d\mathbf{s}\) se escrevem:
Identificando \(x=q\), \(y=p\), \(z=t\) e \(H=-f/B_0\):
Equações de Hamilton! As linhas de campo são as trajetórias de um sistema dinâmico.
Exemplo 10.7 — Medida topológica
A helicidade é uma medida topológica do entrelaçamento entre tubos de fluxo magnético.
Tubo de fluxo: conjunto de linhas de campo com o mesmo fluxo \(\Phi = \int\mathbf{B}\cdot d\mathbf{S}\) passando por qualquer seção transversal.
Síntese operacional
Geometria arbitrária, sem simetria especial. Cálculo direto por integral. Use quando: geometria finita, ponto específico, superposição explícita.
Alta simetria (cilíndrica, planar, toroidal). Escolhe curva onde \(B\) é constante → vira álgebra. Use quando: muito mais eficiente que Biot-Savart.
Mais geral. Resolve \(\nabla^2\mathbf{A}=-\mu_0\mathbf{j}\) (Poisson vetorial) no calibre de Coulomb. Use quando: correntes em volume, resultado preciso.
Onde \(\mathbf{j}=0\): resolve \(\nabla^2\psi=0\) (Laplace). Toda a maquinaria do Cap. 7 disponível. Use quando: correntes confinadas a superfícies.
Verificação sempre: direção pela regra da mão direita · unidade: tesla · limites: \(\rho\to 0\), \(\rho\to\infty\), dentro, fora.
Fechamento
Magnetostática é uma teoria de circulação: sem fontes escalares de \(\mathbf{B}\), mas com correntes que enrolam o campo ao redor de si. As linhas de campo podem ser complexas topologicamente — não fecham em geral, podem ser caóticas, e podem reconectar quando a topologia muda.
O potencial vetor \(\mathbf{A}\) tem realidade física própria (Aharonov-Bohm) e é o objeto fundamental de toda a eletrodinâmica — clássica e quântica.
Fontes e créditos